Em outubro, com a colheita terminada ou a terminar, o trabalho passa do campo para o escritório. Chegam as últimas faturas, fecham-se as contas da campanha e começa a preparar-se a seguinte. É nesta altura que se percebe se o trabalho de um ano inteiro se traduziu em margem.
A rentabilidade não depende apenas do que se produziu. Depende da capacidade de saber exatamente quanto custou produzir, onde se gastou mais e onde a margem ficou aquém do esperado.
É comum terminar uma campanha com a sensação de que uma cultura correu bem. A produção foi boa, a qualidade também, o preço pareceu razoável. Mas quando se olha para todos os custos envolvidos, a leitura pode ser bem diferente.
Na prática, o custo que se tem presente costuma incluir apenas o que chegou em fatura, como os fertilizantes, fitofármacos e combustível. Ficam muitas vezes de fora:
Somadas, estas rubricas representam frequentemente uma parte significativa do custo total. Quando não entram na análise, qualquer decisão parte de uma base incompleta.
Um cálculo fiável junta duas componentes.
Custos diretos, que se associam a uma parcela ou a uma operação concreta:
Custos indiretos, que pertencem à exploração no seu conjunto, como:
Os custos indiretos são os mais esquecidos. Podem ser repartidos pela área de cada parcela ou, quando as culturas são muito diferentes entre si, pelas horas de trabalho, o que tende a dar uma imagem mais equilibrada.
O cálculo do custo é simples: somar tudo o que a campanha consumiu e dividir pela área ou pela produção. Os desvios surgem nos detalhes. Estes são alguns dos mais comuns:
Corrigir estes pontos no fim da campanha é difícil. O mais eficaz é garantir que a informação fica bem registada ao longo do ano, no momento em que as operações acontecem.
O custo por hectare é um bom ponto de partida, mas uma média pode esconder parcelas que comprometem o resultado global. Uma análise completa permite olhar para o mesmo custo a partir de diferentes perspetivas:
Cada uma destas leituras sustenta uma decisão diferente.
No Wisecrop, a informação de custos vai sendo construída ao longo da campanha, à medida que as operações acontecem. As horas de cada trabalhador e equipa ficam associadas à parcela e à tarefa, o tempo e as passagens de máquina ficam registados, e as quantidades colhidas são contabilizadas por parcela, equipa e dia. A estes dados juntam-se os consumos de água por setor, os fatores de produção efetivamente aplicados, as faturas, os fornecedores e o inventário em armazém.
Com tudo na mesma plataforma, os custos ficam categorizados e podem ser analisados por parcela, cultura, máquina, trabalhador ou fornecedor, assim como por hectare e por quilo colhido. Os erros mais comuns no fecho de contas tornam-se mais fáceis de evitar: o que está em stock deixa de ser confundido com o que foi aplicado, e os custos partilhados passam a ser distribuídos com base em consumos e horas reais.
Quando a campanha termina, a análise já está disponível. O tempo passa a ser dedicado a decidir, e não a reunir dados.
Num setor em que pequenas diferenças determinam a rentabilidade de uma campanha, conhecer o custo real deixou de ser um exercício de fim de ano. É uma condição para planear a próxima com segurança.