Em outubro, com a colheita terminada ou a terminar, o trabalho passa do campo para o escritório. Chegam as últimas faturas, fecham-se as contas da campanha e começa a preparar-se a seguinte. É nesta altura que se percebe se o trabalho de um ano inteiro se traduziu em margem.
A rentabilidade não depende apenas do que se produziu. Depende da capacidade de saber exatamente quanto custou produzir, onde se gastou mais e onde a margem ficou aquém do esperado.
Quando a perceção não coincide com os números
É comum terminar uma campanha com a sensação de que uma cultura correu bem. A produção foi boa, a qualidade também, o preço pareceu razoável. Mas quando se olha para todos os custos envolvidos, a leitura pode ser bem diferente.
Na prática, o custo que se tem presente costuma incluir apenas o que chegou em fatura, como os fertilizantes, fitofármacos e combustível. Ficam muitas vezes de fora:
- as horas da equipa permanente, que não aparecem como despesa associada à campanha;
- as horas de máquina, distribuídas por várias parcelas sem registo;
- a energia consumida na rega, faturada para toda a exploração;
- os custos de estrutura, como seguros, rendas, amortizações e trabalho administrativo.
Somadas, estas rubricas representam frequentemente uma parte significativa do custo total. Quando não entram na análise, qualquer decisão parte de uma base incompleta.
O que deve entrar no custo real
Um cálculo fiável junta duas componentes.
Custos diretos, que se associam a uma parcela ou a uma operação concreta:
- mão de obra própria e temporária;
- fatores de produção aplicados, como fertilizantes, fitofármacos e corretivos;
- maquinaria, incluindo combustível, manutenção e horas de trator e alfaias;
- rega, com energia, água e manutenção do sistema;
- serviços contratados, como colheita, poda ou análises.
Custos indiretos, que pertencem à exploração no seu conjunto, como:
- seguros e rendas;
- amortizações de equipamentos e infraestruturas;
- trabalho administrativo e de gestão.
Os custos indiretos são os mais esquecidos. Podem ser repartidos pela área de cada parcela ou, quando as culturas são muito diferentes entre si, pelas horas de trabalho, o que tende a dar uma imagem mais equilibrada.
Erros frequentes no fecho de contas
O cálculo do custo é simples: somar tudo o que a campanha consumiu e dividir pela área ou pela produção. Os desvios surgem nos detalhes. Estes são alguns dos mais comuns:
- Contar o que se comprou em vez do que se aplicou. O adubo ou o fitofármaco que ficou em armazém não é custo desta campanha. Sem controlo de inventário, o custo de um ano fica inflacionado e o do seguinte subestimado.
- Misturar campanhas. A adubação de outono ou a poda de inverno preparam a próxima colheita. Se forem imputadas à campanha que agora fecha, as duas ficam distorcidas.
- Não contar o trabalho do próprio produtor. As horas de gestão e de campo do produtor ou da família também têm valor, mesmo que não apareçam em folha de salários.
- Repartir custos partilhados sem critério. Uma bomba que serve vários setores ou um trator que trabalha em várias parcelas têm de ser distribuídos com base em consumos e horas reais, e não em partes iguais.
Corrigir estes pontos no fim da campanha é difícil. O mais eficaz é garantir que a informação fica bem registada ao longo do ano, no momento em que as operações acontecem.
Uma análise com vários ângulo
O custo por hectare é um bom ponto de partida, mas uma média pode esconder parcelas que comprometem o resultado global. Uma análise completa permite olhar para o mesmo custo a partir de diferentes perspetivas:
- Por parcela e por cultura: perceber o que compensa manter, alargar ou reconverter.
- Por máquina: avaliar se um equipamento justifica os custos de manutenção ou se faz mais sentido contratar o serviço.
- Por trabalhador e por equipa: identificar tarefas com custo acima do esperado e acompanhar a produtividade.
- Por fornecedor: comparar custos de insumos e preparar a negociação das próximas compras.
- Por quilo colhido: comparar diretamente com o preço de venda e definir o preço mínimo para a próxima campanha.
Cada uma destas leituras sustenta uma decisão diferente.
O que isto revela
No Wisecrop, a informação de custos vai sendo construída ao longo da campanha, à medida que as operações acontecem. As horas de cada trabalhador e equipa ficam associadas à parcela e à tarefa, o tempo e as passagens de máquina ficam registados, e as quantidades colhidas são contabilizadas por parcela, equipa e dia. A estes dados juntam-se os consumos de água por setor, os fatores de produção efetivamente aplicados, as faturas, os fornecedores e o inventário em armazém.
Com tudo na mesma plataforma, os custos ficam categorizados e podem ser analisados por parcela, cultura, máquina, trabalhador ou fornecedor, assim como por hectare e por quilo colhido. Os erros mais comuns no fecho de contas tornam-se mais fáceis de evitar: o que está em stock deixa de ser confundido com o que foi aplicado, e os custos partilhados passam a ser distribuídos com base em consumos e horas reais.
Quando a campanha termina, a análise já está disponível. O tempo passa a ser dedicado a decidir, e não a reunir dados.
Num setor em que pequenas diferenças determinam a rentabilidade de uma campanha, conhecer o custo real deixou de ser um exercício de fim de ano. É uma condição para planear a próxima com segurança.