Dados para o IFAP: o que enviar, até quando e como fazer no Wisecrop

Há obrigações que se cumprem em minutos e outras que obrigam a reconstruir um ano inteiro de trabalho em duas semanas. A diferença raramente está na obrigação em si. Está na forma como a informação foi registada ao longo da campanha.

Uma obrigação que já existia, agora com plataforma

Em 2023, quando o PEPAC entrou em vigor, surgiu uma obrigação nova ligada a várias intervenções: Uso Eficiente da Água, Produção Integrada, Agricultura Biológica, Promoção da Fertilização Orgânica, Maneio da Pastagem Permanente, Enrelvamento, Pastagens Biodiversas e Planos Zonais. Chama-se compromisso de partilha de dados.

Quem se candidatou a alguma destas passou a ter de comunicar quatro coisas sobre a sua exploração: quanto produziu por cultura, o que dizem as análises de solo, quanto fertilizou e quanta água gastou. Tudo associado a um ponto no mapa, o centro da zona homogénea do caderno de campo.

Durante três anos foi uma obrigação no papel sem sítio para a cumprir. Este ano deixou de ser. Em junho o IFAP lançou o Caderno de Campo Digital+. Em setembro a aplicação que recebe os dados. E com ela um prazo: 31 de dezembro, para quem submeteu o Pedido Único de 2026.

Confirmar primeiro se isto lhe diz respeito

Só os beneficiários de intervenções com compromisso de partilha de dados têm de enviar esta informação. Nem todos os beneficiários do PEPAC estão abrangidos, e essa é a primeira coisa a esclarecer antes de se gastar tempo com o resto.

O compromisso está associado às intervenções, não ao beneficiário, por isso a resposta está no Pedido Único: se nenhuma das intervenções candidatadas o inclui, não há nada a enviar.

Vale a pena fazer esta verificação cedo.

Três formas de enviar os dados

Dentro da aplicação do IFAP há três formas de cumprir:

  • Caderno de Campo Digital+, disponível desde junho. É uma ferramenta gratuita do IFAP, que agrega parcelário, informação pecuária, licenciamento, estatuto sanitário e clima, e permite registar sementeiras, fitofármacos, fertilizações, colheitas e rega. Para quem não tem nenhum sistema de gestão e quer apenas cumprir a obrigação.
  • Modelo Excel, preenchê-lo à mão  e carrega na plataforma. Funciona, mas é trabalho manual que se repete todos os anos.
  • Software de gestão agrícola, onde já é gerida toda a operação e que gera o ficheiro a partir dos registos feitos no dia a dia. Não há nada para preencher de novo, a partilha de dados passa a fazer parte da gestão digital da exploração.

A escolha depende menos da obrigação e mais do que a exploração faz com esses dados durante o resto do ano. Há quem registe para cumprir e quem registe para decidir. O trabalho é o mesmo; o retorno não. 

Onde entra o Wisecrop

Para quem já regista a atividade da exploração no Wisecrop, grande parte do trabalho está feito antes de se abrir a plataforma do IFAP.

Cada fertilização, colheita ou análise de solo registada na App Atividades de Campo fica associada à parcela, à cultura e à data em que aconteceu. Quando chega a altura de enviar os dados ao IFAP, basta requisitar o relatório de Partilha de Dados e o ficheiro Excel sai já preenchido, com a produção, a fertilização e as análises associadas a cada zona homogénea. Depois carrega-se na plataforma do IFAP. Se a validação devolver erros, a aplicação indica a folha e a linha. Corrige-se e volta-se a carregar. 

Os mesmos dados alimentam o caderno de campo de cada campanha, que o Wisecrop gera automaticamente, e servem de base às auditorias e certificações que a exploração tenha. Não há um registo para o IFAP, outro para a certificadora e outro para uso interno. Há um só, que serve para tudo.

E como as Atividades de Campo trabalham ligadas às outras aplicações do Wisecrop, a informação não fica parada. A fertilização registada entra nas contas da App Custos. As horas de trabalho entram na App Mão de Obra. No fim da campanha, é possível ver quanto custou produzir cada cultura, em cada parcela, e comparar com a produção que se obteve.

É aqui que a obrigação deixa de ser só uma obrigação. Os dados que o IFAP pede são, afinal, os mesmos de que o produtor precisa para perceber se a campanha correu bem: quanto produziu, quanto aplicou, quanto gastou e onde. Quem já os tem organizados para gerir a exploração cumpre o compromisso de partilha de dados quase sem dar por isso.

O passo a passo com imagens está no Centro de Ajuda.

O que isto revela

Vale a pena olhar para este compromisso como aquilo que ele é.

Não é um pedido de informação extra. É um pedido para mostrar informação que a exploração devia ter de qualquer maneira, organizada de uma forma que seja possível ler. A obrigação apenas torna visível uma coisa que já estava lá: se a exploração sabe, ou não sabe, o que produziu, o que aplicou e onde.

E quando se sabe isso, dezembro é só mais um mês.

Para mais informações

Do lado do IFAP, a informação oficial sobre o compromisso está reunida numa área própria do portal, com as regras, o manual de utilizador e as perguntas frequentes:


A importação dos dados está disponível através so sítio do Portal da Agricultura https://agricultura.gov.pt/portal/ ou através do link direto https://raizdigital.agricultura.gov.pt/DataShare/TimeLine.  

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Aplicação Atividades de Campo