Wisecrop

Ovelha Azul: quando regar bem deixa de depender da experiência

Written by Filipa Carvalho | Aug 10, 2026, 2:10:07 PM

Nas margens do Rio Ovelha, em Marco de Canaveses, cinco hectares de mirtilos crescem com uma exigência que qualquer produtor conhece bem: a água tem de chegar na quantidade certa, na hora certa. 
Durante anos, essa decisão dependia essencialmente da experiência de quem estava no campo. Hoje, depende de dados.

Cinco hectares onde cada decisão tem peso

A Ovelha Azul nasceu em 2012 com um objetivo claro: manter viva uma herança familiar e construir a partir dela um projeto sustentável. Com cinco hectares dedicados ao mirtilo, a margem para erro é reduzida. Cada decisão tem impacto e poucas são tão críticas como a rega.

Numa cultura sensível ao equilíbrio hídrico, regar a mais ou a menos tem consequências diretas na produtividade e na qualidade. Sem dados concretos, essa decisão era sempre uma aproximação.

Gerir com experiência, mas sem certezas

A Alexandra e o Carlos, responsáveis pela gestão diária da exploração, sabiam que a gestão da água podia ser mais precisa. Não havia registos contínuos que permitissem comparar campanhas, perceber o impacto de anos mais secos ou húmidos, ou ajustar a rega às necessidades reais da cultura ao longo do ciclo.

A experiência orientava, mas não antecipava. E no caso da água, antecipar faz toda a diferença.

Com a certificação SPRING já integrada na exploração, essa exigência tornou-se ainda mais clara. Garantir eficiência hídrica deixou de ser apenas uma boa prática e passou a exigir evidência.

Quando a tecnologia entra no terreno

A mudança começou com a instalação de sondas de humidade e temperatura do solo ligadas ao Wisecrop e com a integração do programador de rega, para um controlo detalhado de cada setor.

O impacto foi imediato na forma de tomar decisões. Em vez de avaliar o solo por intuição ou leitura visual, a Alexandra passou a ter alertas automáticos, um histórico detalhado das regas realizadas e a possibilidade de ligar, desligar ou ajustar programas através do telemóvel, sem se deslocar ao campo.

"Estes dispositivos ajudam imenso. Nós temos objetivos para poupar mais água e só com estes dispositivos é que isso é possível." Alexandra Ribeiro, Produtora Agrícola

O ganho está na precisão

Poupar água numa exploração como esta raramente é uma decisão dramática. Não se trata de cortar volumes de forma abrupta, o que teria consequências imediatas na planta. Trata-se de perceber que um setor que consome 50 metros cúbicos pode passar a consumir 48 sem qualquer prejuízo, e de repetir esse acerto, setor a setor, ao longo de toda a campanha.

É esse tipo de leitura que não é possível fazer sem dados do solo. A diferença entre 50 e 48 não se vê a olho nu, mas nota-se no final do ano.

"Só com estes dispositivos é que nós conseguimos gerir isto. De outra forma era impossível." Alexandra Ribeiro, Produtora Agrícola

Nesta exploração, o ajuste traduziu-se numa redução de 4% no consumo de água. Um número que, à primeira vista, pode parecer modesto, mas que representa exatamente isso: um acerto real e mensurável, obtido sem alterar a estratégia de rega, apenas afinando-a com informação que antes não existia.

Da intuição à evidência

Num contexto de maior variabilidade climática e de pressão crescente sobre o uso da água, a capacidade de ajustar com precisão deixou de ser uma vantagem acessória para passar a ser um fator de competitividade. Para explorações certificadas, é também uma questão prática: sem registo contínuo, não há como demonstrar o que se fez.

Na Ovelha Azul, a rega deixou de ser uma decisão baseada no que parecia certo. Passou a ser uma decisão baseada no que o solo indica.

E essa mudança, num projeto pensado a longo prazo, faz toda a diferença: produzir com qualidade, gerir com consciência e crescer de forma sustentável. A exploração está neste momento a ampliar a área de produção e a instalar mais dispositivos no terreno.