Numa empresa que trabalha centenas de hectares ao longo do ano, a rentabilidade não depende apenas da produção. Depende da capacidade de saber exatamente quanto custou produzir, onde se gastou mais tempo, onde houve desvios e onde a margem ficou aquém do esperado.
Na Horticultura del Sureste, essa consciência foi-se tornando cada vez mais clara à medida que a operação crescia em dimensão e complexidade.
Quatro quintas, várias culturas, decisões constantes
A Horticultura del Sureste é uma das empresas integradas num grupo agrícola com presença relevante no sudeste de Espanha. Ao longo do ano, trabalha entre 350 e 400 hectares de hortícolas, com várias rotações culturais: alface, courgette, pimento, brócolo, melão e melancia. Cada cultura tem o seu calendário, as suas exigências técnicas e os seus custos específicos.
Esta diversidade implica planeamentos distintos ao longo do ano, equipas no terreno, controlo de consumos, gestão de horas de trabalho e acompanhamento constante de custos por cultura. Na prática, isto significa que a informação tem de circular com rapidez e fiabilidade.
Atualmente, entre 25 e 30 pessoas utilizam diariamente o Wisecrop na Horticultura del Sureste, desde encarregados que registam tarefas até equipas administrativas que analisam custos e relatórios.
Organizar a informação para confiar nos números
Antes da mudança, a empresa já trabalhava com um sistema de gestão. O problema não era a ausência de tecnologia, era a dificuldade em confiar plenamente na informação que dela saía. Extrair dados claros exigia tempo. Filtrar por cultura, por parcela ou por campanha nem sempre era simples. E quando a informação não é totalmente consistente, a análise fica condicionada. O Israel, gestor financeiro da Horticultura del Sureste, recorda que essa foi uma das principais razões para procurar outra solução, a necessidade de organizar melhor as atividades de campo e, sobretudo, garantir que os números refletiam a realidade.
“Para nós é essencial que o relatório da cultura esteja alinhado com a contabilidade. Não podemos tomar decisões com dados incorretos.”
Numa operação com centenas de hectares e múltiplas culturas ao longo do ano, pequenas imprecisões acumulam-se rapidamente. E quando isso acontece, a perceção pode afastar-se da rentabilidade real.
Quando a análise muda a leitura da campanha
Um dos impactos mais relevantes da reorganização da informação foi a possibilidade de confrontar a sensação do campo com os números finais.
“Muitas vezes pensamos que uma cultura correu bem. Mas quando tiramos o relatório final, percebemos que afinal não foi tão rentável quanto imaginávamos.”
Casos como a courgette ou o brócolo demonstraram isso mesmo. Num dos ciclos recentes de brócolo, a diferença para atingir a rentabilidade foi de apenas três cêntimos. Num cenário de larga escala, três cêntimos multiplicam-se por toneladas. Sem uma visão consolidada de custos, horas de trabalho, consumos e produção, esse desvio dificilmente seria identificado com precisão.
Hoje, as decisões sobre planeamento e continuidade de culturas são tomadas com base em relatórios detalhados. A análise deixou de depender apenas da experiência e passou a estar sustentada por números consistentes.
Menos tarefas repetitivas, mais capacidade de análise
A digitalização do registo de horas e tarefas no campo permitiu reduzir progressivamente o uso de papel e eliminar parte do trabalho repetitivo associado à transcrição manual de dados.
A empresa estima ter reduzido entre 5 e 10 horas mensais de trabalho administrativo apenas na introdução de informação que antes era registada em papel e posteriormente digitada. Mais importante do que o tempo poupado é a redução do erro e a melhoria da qualidade dos dados.
Ao mesmo tempo, tornaram-se possíveis análises que antes não estavam ao alcance, como indicadores de produtividade em quilos por hora. Este tipo de informação permite avaliar equipas, comparar campanhas e identificar oportunidades de melhoria com maior objetividade.
Um caminho que continua
Para o Israel, a digitalização no setor agrícola é um processo inevitável.
Recentemente concluiu formação em transformação digital aplicada ao setor agro, reforçando a convicção de que as empresas terão de estruturar melhor processos e integrar ferramentas que facilitem a gestão.
Na Horticultura del Sureste, o trabalho não está concluído. O objetivo passa por continuar a reduzir o papel, melhorar a integração com a contabilidade e automatizar tarefas sempre que possível. Se tivesse de resumir a plataforma que utilizam numa frase, a definição é simples: “Ágil, intuitiva e simples.”
Mas, para a empresa, o impacto vai além da simplicidade. Num contexto onde pequenas diferenças determinam a rentabilidade de uma campanha, a capacidade de organizar informação e confiar nos números tornou-se parte central da gestão.
E, num setor cada vez mais exigente, decidir com base em dados deixou de ser uma vantagem, é uma condição para continuar a crescer.