Durante o inverno, a videira em repouso vegetativo aguenta temperaturas muito abaixo de zero sem danos relevantes. O problema surge quando a temperatura aquece, os gomos abrolham e os primeiros pâmpanos aparecem. É nessa fase que a planta fica mais vulnerável, os tecidos jovens danificam-se a partir de −2°C, e basta uma noite para comprometer meses de trabalho.
Com as alterações climáticas, os invernos mais quentes fazem com que o abrolhamento ocorra cada vez mais cedo no calendário. Mas o risco de noites frias na primavera não diminuiu na mesma proporção. O resultado é uma janela de vulnerabilidade fenológica mais longa e muito mais imprevisível do que era há uma década.
A microaspersão é um dos métodos antigeada mais eficazes para a viticultura. Quando a água entra em contacto com os gomos e congela à sua superfície, o processo de solidificação liberta calor que mantém a temperatura dos tecidos próxima de 0°C, mesmo quando o ar ambiente está abaixo disso. É um princípio físico simples que, bem executado, protege a cultura sem danos.
Com sistemas integrados, a microaspersão pode ser configurada para disparar automaticamente quando a temperatura desce abaixo de 2°C, sem precisar de intervenção humana a meio da noite. O viticultor recebe um alerta no telemóvel no momento em que o sistema arranca, acompanha a evolução da temperatura em tempo real e tem controlo total sobre a instalação a partir de qualquer lugar.
A microaspersão direcionada para a videira permite ainda poupar até 45% de água face a sistemas convencionais de aspersão geral. Mais proteção, menos consumo (fonte: VINEAS, 2024).