13.ª Semana Hortícola do Oeste: um evento com substância
No final de maio estivemos na 13.ª Semana Hortícola do Oeste, organizada pela AIHO, a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, na Lourinhã. Dois dias de programa, com visitas de campo, mesas redondas e apresentações, todos em torno de um tema que percorreu o evento de ponta a ponta: como é que os produtores desta região podem ser mais rentáveis.
O retrato de uma região com uma particularidade
O Oeste é uma região com uma produção hortícola relevante e com uma característica que o próprio presidente da AIHO destacou logo na abertura: uma parte significativa dos produtores não são profissionais a tempo inteiro. São o que lá chamam de "produtores de fim de semana", com parcelas pequenas, sem estrutura de custos formal, que vendem o produto a preços que os produtores profissionais não conseguem igualar sem prejuízo.
Esse desequilíbrio foi o fio condutor de grande parte da discussão no primeiro dia. A mesa redonda reuniu produtores e representantes do setor, a conversa foi direta, e por vezes desconfortável, como tende a acontecer quando se fala de problemas que toda a gente conhece mas ninguém resolve facilmente.
João Lourenço, produtor de referência na região com cerca de 60 hectares de hortícolas e anos de experiência com abóbora, foi um dos que falou sem rodeios. O argumento era simples: enquanto houver quem venda abaixo do custo real de produção, porque não faz as contas dessa forma, vai ser difícil valorizar o produto da região. Foi uma provocação à plateia, mas também uma leitura honesta de um problema estrutural.
Do outro lado da mesa estava um produtor com perfil completamente diferente: voltado para exportação, sem dependência do mercado interno. Perspetivas distintas, mas que ajudaram a perceber bem a amplitude do setor.
Outro tema que surgiu foi o investimento em marketing e criação de uma marca regional. A ideia faz sentido, a PorBatata é um exemplo próximo de como isso pode funcionar, mas o consenso na sala foi que esse investimento não pode recair sobre o produtor individual. Beneficia a região toda, por isso devia ser suportado por entidades públicas ou coletivas. A própria AIHO já tem esse objetivo em mente, segundo o seu presidente, Sérgio.
No campo com João Lourenço
O segundo dia começou com uma visita às parcelas da empresa Luís Lourenço, que deu a ver, de forma concreta, o que significa gerir uma exploração deste tamanho com consistência.
Três temas dominaram a conversa durante a visita.
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A água: A região tem problemas de qualidade de água em algumas zonas com bolsas de sal que afetam diretamente a produtividade. João Lourenço investiu em charcas e passou a transportar água tratada para as parcelas mais afetadas. O resultado foi um aumento de produtividade na ordem dos 30%. Não foi tecnologia de ponta, foi diagnóstico correto do problema e decisão de o resolver.
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A fertirrigação: Para ele, gerir bem a rega e a fertilização é o que separa as boas colheitas das médias. Não há atalhos.
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A mecanização com GPS: À medida que a mão de obra experiente vai escasseando, preparar os terrenos com GPS deixou de ser um extra e passou a ser uma necessidade. As linhas ficam direitas, as operações seguintes, como tratamentos ou colheita, funcionam. Sem isso, qualquer nova equipa de trabalho compromete tudo o que vem a seguir. É um daqueles casos em que a tecnologia não resolve um problema novo, resolve um problema antigo de uma forma que antes dependia de pessoas que já não existem em número suficiente.
A mensagem que ficou da visita foi esta: num setor onde a margem de erro é pequena, trabalhar sem dados e sem ferramentas de suporte é cada vez mais difícil de justificar.
O que levámos destes dois dias
A Semana Hortícola do Oeste é um evento com substância. Não é um congresso de grandes números e apresentações globais, é mais próximo do terreno, com produtores reais a falar de problemas reais. E isso tem valor.
O setor hortícola do Oeste tem condições para crescer, mas precisa de se profissionalizar. Não é uma crítica, é o que os próprios produtores dizem. E essa profissionalização passa, em parte, por ter melhor acesso à informação: sobre o que está a acontecer nas parcelas, sobre o que está a gastar, sobre o que está a produzir.
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